sábado, 24 de março de 2012

Para Ana Luisa


Já sinto saudade de Ana Luisa, a filha que nunca vou ter, por horas imaginei que ela teria seus olhos, sua pele, que seria tão inteligente e articulada quanto a mãe que desejei para tê-la, algumas noites cheguei a sonhar com seu pequeno rostinho e seu sorriso careca, abrilhantando o mundo, como desejei a filha que nunca vou ter... Saí algumas manhãs para trabalhar no sol quente imaginando como seria a casa que iria construir para receber minha Ana Luisa, e a mãe tão amada que escolhi pra ela.
Pequena alminha que em algum lugar está entre os anjos queria que você soubesse que quis você de verdade, com tanto amor e intensidade, que em uma brincadeira entre duas mulheres adultas, imaginamos poder ter você, e dessa imaginação te desejei sim, meu anjinho, nesse momento sei que Deus te criou pra gente, desejei te beijar todos os dias por sobre a barriga da mulher que escolhi pra me trazer a felicidade de ter você, sei que a vida a partir de agora ficará mais vazia, pequenina, sua mãe permitiu que roubassem você de nossas vidas, ela quase não fala comigo, ela vive como se não fossemos nada pra ela, não teremos mais você, e meu mundo nunca esteve tão vazio, não vou poder te mostrar o primeiro brinquedo que comprei pra você, não vou escutar suas gargalhadinhas engraçadas, não vou ver seus primeiros passinhos, suas primeiras palavrinhas, nem voltar pra vocês todas as noites.
Meu pequeno anjo, já não posso te prometer nada, não nos olharemos, não segurarei sua mãozinha  quando você tiver seus medos, e eu não terei vocês pra me tirar o medo, adultos também sentem medo, anjinho... 
Seguir minha vida sem sonhar com vocês um dia ao meu lado está sendo muito doloroso, adultos precisam sonhar pra poder realizar, anjinho, pensando bem filha minha, esse mundo aqui é muito complicado. Nem sei se ele é colorido o bastante para te receber.