Hoje me olhando no espelho arrumando os
cabelos, olhei meu rosto, pensei comigo mesma “nada mal”, nada mal pra quem já
viveu tantas coisas, amou tantas mulheres, aprendeu de tudo um pouco.
Descobri através desse olhar a minha essência,
descobri também que não preciso mudar, não preciso regredir como espécie, não
preciso macular meu corpo, não preciso imitar os índios do Xingu, como os índios
com seus batoques nos lábios, nas narinas, não preciso me perfurar com
piercings, vivi 40 anos bem vividos sem fazer do meu corpo um álbum de figurinhas,
com marcas espalhadas, flores, dragões, patas de bichos, na verdade, não
preciso, se analisar, ninguém precisa se carimbar pra ter estilo, o verdadeiro
estilo é manter a sua essência é se fazer belo dentro de sua própria essência. Não
quero e nem vou mudar para que ninguém me olhe, ou me admire, não preciso,
minha pele branca, macia e lisa, minha boca, meus beijos, minha língua e todas
as magias que ela faz, meus olhos negros e o modo que olho no fundo dos olhos
tentando buscar a alma da pessoa olhada. Meu atrito, aura, intelecto, e todo o
prazer que posso proporcionar e compartilhar do mesmo, minhas mãos pequenas,
firmes e objetivas, e tudo que sou capaz de explorar e descobrir com elas, essa
é a minha beleza, a minha essência, hoje mais que aperfeiçoada pelo tempo,
Maturidade.
Não, não posso voltar
aos meus vinte poucos anos, não posso voltar à beleza vazia da minha juventude,
sou o que sou, “Fruta Madura”, não posso mudar isso pra agradar alguém, para
caber nos seus sonhos e ideais de beleza, pois a maturidade me ensinou que o
desejo e o querer nascem exatamente nas diferenças.
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